Fibrilação atrial (FA) tem sido tratada com choques DC transmitidos transtoracicamente, mas em 5-30% dos pacientes, os procedimentos não conseguem restaurar o ritmo sinusal (SR). Hipotecamos que a aplicação de ondas de choque de alta energia no tórax pode superar a penetração inadequada do choque elétrico no átrio. O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia do choque DC externo de maior energia para o tratamento da FA refratária coexistindo com a doença cardiovascular, utilizando um desfibrilador externo duplo sincronizado. Quinze pacientes (idade média 65 +/- 8 anos) com FA refratária à cardioversão DC padrão (CV) foram submetidos a um choque DC de maior energia utilizando um desfibrilador externo duplo. A cardiopatia concomitante esteve presente em todos os pacientes. Warfarina e amiodarona (600 mg/dia), foram administradas por pelo menos três semanas antes do CV CC. A sedação foi realizada com midazolam intravenosa. Duas pás desfibriladoras foram posicionadas na parede torácica anterior e posterior, em decúbito lateral direito. Os desfibriladores foram sincronizados com as ondas R e simultaneamente foram administrados 720 joules de energia aos pacientes. Amiodarona (200 mg/dia) foi continuamente administrada após o choque DC para manter o SR. O ritmo sinusal foi obtido em 13 pacientes. O ritmo sinusal foi persistente em 11 pacientes por seis meses de duração. As frações de creatina cinase MB foram normais em 4 (22 +/- 4 IU/L) e 12 horas (18 +/- 4 IU/L). Nenhum dos pacientes desenvolveu comprometimento hemodinâmico significativo ou insuficiência cardíaca congestiva, bloqueio AV mais alto, acidente vascular cerebral ou eventos cerebrais isquêmicos transitórios. Os resultados indicam que a aplicação de choque DC de maior energia usando um desfibrilador externo duplo é um método eficaz e seguro para a cardioversão da FA refratária. Acreditamos que este procedimento deve ser realizado antes da cardioversão atrial interna.

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